Faculdade de Odontologia de Santos/SP -Unimes               
Professor Antônio Lucindo Bengtson e equipe

Casos Clínicos - Bebê - Sintomas x Irropimento

Introdução

A literatura evidencia de forma clara que o processo fisiológico do irrompimento de dentes decíduos pode ser acompanhado por desconforto ou até mesmo sintomas de ordem geral. Relata também grande controvérsia sobre o assunto, envolvendo os profissionais da área, como médicos e dentistas, portanto aparecerem basicamente três linhas de posicionamento, uma em que o irrompimento de dentes decíduos é um processo fisiológico, portanto, "não trás qualquer sintomatologia", outra que o aparecimento de alguns sintomas podem ser coincidentes e a terceira em que o irrompimento difícil é um processo patológico que trás sintomas muitas vezes severos, chegando a convulsões. Brauer et al; Noronha fazem analogia interessante, e estamos em plena concordância quando afirmam que o irrompimento é um processo fisiológico normal, tal como a parturição, menstruação, circulação, disgestão, todavia, as atividades normais do organismo podem ter o seu ritmo fisiológico alterado e manifestar o seu desequilíbrio sob forma de sintomas.
Então a necessidade não é questionar se há ou não sintomas, e sim, verificar e analisar quais são os verdadeiros sintomas associados ao irrompimento de dentes decíduos e quais os possíveis mecanismos que envolvem essa relação.

Condições da boca e rebordo gengival em uma criança sem sintomatologia.
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Aspecto do rebordo alveolar de uma criança em que as manifestações gerais e sistêmicas estão começando a se manifestar.
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Com o início do aparecimento do dente no rebordo, a sintomatologia começa a desaparecer.
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Aspecto do arco com os dentes irrompidos e o desaparecimento completo das manifestações gerais e sistêmicas.

Foram observadas 36 (trinta e seis) crianças durante 4 meses, de ambos os sexos, sujeitas a irrompimento de dentes, com idade variando de 5 a 11 meses, residentes em uma entidade filantrópica. Por ocasião de admissão, todas crianças eram submetidas ao exame médico para verificar se eram portadoras de alguma patologia e ao exame odontológico para determinar qual ou quais dentes estavam para irromper, e eram observados até seu aparecimento na cavidade bucal.
Foram observados 72 dentes, a evolução do processo foi acompanhada clinicamente por verificação diária das condições das crianças (estado geral e exames bucais) e pelos dados colhidos pelas enfermeiras, até ao irrompimento do dente. Em todos casos, foram anotados os sintomas gerais presentes concomitantes ao dente à irromper, assim como os dentes que mostraram ausência de sintomas.
Foram incluídos na pesquisa os sintomas baseados principalmente em trabalhos científicos constantes na literatura.

Número e porcentagem de casos relacionados com cada sintoma, no processo de irrompimento de dentes decíduos

SINTOMAS

Nº DE CASOS

PORCENTAGEM

Salivação

64

88,88

Diarréia

63

87,50

Sono agitado

52

72,22

Irritação

50

69,44

Corrimento nasal

49

68,05

Erupção na pele

44

61,11

Febre

42

58,33

Redução de apetite

36

50,00

Vômito

21

29,16

Tosse

16

22,22

Urina forte

03

4,16

Coceira auditiva

01

1,38

Dificuldade de movimento

01

1,38

SEM SINTOMAS

08

11,11


Número e porcentagem de casos que apresentaram sintomas, no processo de irrompimento de dentes decíduos

SINTOMAS

Nº DE CASOS

PORCENTAGEM

Salivação

64

100,00

Diarréia

63

98,43

Sono agitado

52

81,45

Irritação

50

78,12

Corrimento nasal

49

76,56

Erupção na pele

44

68,75

Febre

42

65,62

Redução de apetite

36

56,25

Vômito

21

32,81

Tosse

16

25,00

Urina forte

03

4,68

Coceira auditiva

01

1,56

Dificuldade de movimento

01

1,56

Conclusões

Levando em consideração o processo de irrompimento dos dentes decíduos podemos fazer as seguintes conclusões, que:
É uma porcentagem de considerável significância, a presença de 88,88 % de casos que apresentaram contra os 11,11% % que não apresentaram sintomatologia geral.
O sintoma mais constante é a salivação com 88,88 %, seguido da diarréia com 87,50% e sono agitado com 72,22 %.
Existe a possibilidade do aparecimento dos sintomas sistêmicos – diarréia e febre – com seus mecanismos multifatoriais.
O "stress" é um fator que provoca alterações psicofisiológicas, podendo atuar no tubo digestivo; portanto, pode estar ligado às diarréias durante o irrompimento de dentes, fase em que a criança está passando por período de múltiplas alterações tanto no nível psíquico quanto no fisiológico.

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